Inverno (Música)

AmsterdaminWinter

Toda esta gente fria
Mergulhada em hipocrisia
Misturada todo dia
Com essa minha alergia
Vão me acabar
Ao final do inverno
Já estarei no inferno

Tesoura e isqueiro na mão
Pra você mais uma missão
Já enganou meu coração
E assassinou minha razão
Venha me esquentar
Queime o meu terno
E rasgue o meu caderno

Já não me incomoda mais
Estar sempre um passo atrás
Eu só me senti em paz
Ao perceber que tanto faz
Vem, vamos deitar
O meu fogo é eterno
Nos meses de inverno

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Published in: on abril 29, 2018 at 4:06 pm  Deixe um comentário  

O Pirata do Lago (Música)

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Havia um pirata sem lenço e sem barco
Em uma cidade bem longe do mar
Todos os dias o velho pirata
Ia a um lago pescar e cantar

“Como conseguem viver em gaiolas?”

Era tão velho, o velho pirata
E só uma jangada tinha a comandar
Mas guiava pelos sete mares
“Vamos garoto, me ajude a zarpar”

História assim ninguém mais me contou

Ô seu pirata, nao leve-me tão longe
Eu preciso voltar
A minha mãe está ali
Ô seu pirata, a ilha é tão distante
Eu preciso voltar
Tenho medo de cair e de me afogar

“Mas piratas não tem medo”

Um dia encontrei o velho pirata
E um mapa antigo ele veio entregar
“Se cuida garoto, que o amigo marujo
Para mais uma viagem vai logo embarcar”

Eu nunca mais vi o velho lobo-do-mar
E história assim ninguém mais vai contar…

Published in: on abril 27, 2018 at 10:12 am  Deixe um comentário  

O mundo celebra 10 anos do disco mais importante do século

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O ano era 2008 e o rock parecia definhar. A última grande banda de rock, o Nirvana, havia terminando junto com o suicídio do seu líder e vocalista no ano de 1994, deixando um vácuo que parecia ser eterno. O rock nacional era um marasmo de ideias que se distanciava cada vez mais do grande público.

Foi então que em Campina Grande, na Paraíba, cidade até então conhecida por suas tradições no forró, cinco jovens talentosos músicos se uniram meio que como um chamado do destino. Magno e Tiago, ex-membros da icônica banda Magal e os Estranhos, começaram a recrutar amigos para a montagem de um novo grupo mais pretensioso, e em pouco tempo entraram na banda Roosevelt, Filipe e Gom, respectivamente. Estava criada assim a Vernissage, para uns, a última grande banda de rock, para outros, a única banda que realmente importa.

Reza a lenda que todo o repertório do clássico disco inaugural da banda, Ideias Esquecidas, foi criado após três noites inteiras  de bebedeiras na casa do guitarrista Filipe Negreiros. “Enquanto todos bebiam, Filipe tocava violão e Magno escrevia no verso dos rótulos de cerveja. Algumas músicas foram perdidas porque os rótulos ainda estavam muito úmidos”, conta Geoffrey Blainey, historiador do grupo.

Ainda durante os ensaios para as gravações foi criado um grande murmúrio no meio artístico, pois Jarrier Alves, artista cult famoso por obras transgressoras, assistiu a um ensaio da banda e saiu propagando que estava para nascer o melhor grupo musical da história. “Ao chegar em casa após este primeiro ensaio, Jarrier criou toda a arte do encarte do disco de presente para a banda. A ideia dos músicos dentro de uma TV partiu da concepção, pelo artista, que aqueles caras não existiam, só podia ser uma ficção televisiva, ou terem sido originados de algum quadro cubista de Picasso, que também se tornou uma referência para a capa do CD”, explica Blainey.

E o disco superou as mais altas expectativas. Desde “Primeira Página”, a sua paulada inicial, passando por “Ariluska”, que muitos consideram a balada definitiva sobre o amor de um homem por uma mulher, até a lírica e inspiradora “Enquanto Eu Calço os Meus Sapatos”, que leva o ouvinte a caminhar pelas ruas de Campina Grande do início do século, contemplando um pôr do sol que até hoje reside no imaginário popular. “A Vernissage reuniu todos os bons elementos que fizeram o rock se tornar a música mais popular do planeta: melodias encantadoras, ritmo enérgico, sensibilidade, rebeldia e sensação de urgência. A profundidade das letras de Magno, a agressividade da Bateria de Tiago, o pulsante baixo de Roosevelt, os vibrantes solos de Felipe e a melódica voz de Gom, se tornaram ícones da cultura ocidental. Foi um facho de luz que incendiou o cenário musical, mas que, para azar do mundo, se consumiu tão rápido quanto passou a existir”, depõe Ralph J. Gleason, fundador da revista Rolling Stone, no livro psicografado My Favourites Bands, ainda sem tradução em português.

Por tudo isso, foi realmente uma pena que a banda tenha perdido a sua unidade logo após a aclamação mundial. Felipe se descobriu um virtuose e, constantemente, entrava em conflito com Tiago e sua pegada punk. Logo saiu da banda para se dedicar à música erudita, seguido por Gom que, aclamado pela mídia, decidiu por seguir uma carreira solo sem brilho até os dias de hoje. Roosevelt ameaçava trocar a banda por um doutorado se as coisas não se resolvessem e pressionava ainda mais o ambiente. Magno ainda assumiu sozinho a guitarra da banda e convidou a cantora Thábata para assumir a voz da Vernissage. Mas quando tudo parecia que estava caminhando para uma nova estabilidade, Tiago se apaixona pela vocalista, não tem seu amor correspondido e exige que o guitarrista escolha entre um dos dois para continuar na banda. Foi aí que o compositor chutou o pau da barraca e mandou todo mundo pra puta que pariu, encerrando assim uma das mais belas páginas da história da música.

Por tudo o que foi, e por tudo que poderia ter sido, são mais que justas as homenagens ao “Ideias Esquecidas” celebradas por todo o mundo. “A Vernissage foi um sonho curto, mas muito profundo, desses que permanecem em nossa cabeça pelo resto de nossas vidas”, celebra um cartaz anônimo estendido na Torre Eiffel, em Paris, na semana passada. Uma verdade irrefutável!

Published in: on março 21, 2018 at 1:33 pm  Deixe um comentário  

Marcas de Pés no Chão (Música)

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Quando eu te conheci
Em parte, tudo o que fiz
Foi tentando aproveitar
O dia que estava no final

As palavras que esqueci
E os acordes que errei
Foi tentando esticar
O show que estava no final

Mas no final quando eu te vi
Dando as costas para mim
Sem ao menos um sinal
Isso pra mim foi bem fatal

E ao final você dormiu
E afinal não te esqueci
E no local o que restou
Foram marcas de pés no chão
E nas paredes

Published in: on agosto 2, 2017 at 7:57 am  Deixe um comentário  

O BATERISTA DE PIJAMA

5c04c57062d935954308684a7c9d94af--music-wall-art-drummersAqueles que não o consideram o maior baterista da história não conseguem sentir a paixão que oxigena as batidas de uma música, ou não o ouviram tocar. Pesa contra ele o fato de ter tocado em apenas duas bandas, com o mesmo guitarrista limitado, ambas com uma carreira mais marcada por sonhos inconcretizados do que propriamente por apresentações, que talvez não chegaram a duas dezenas.

Mas como era bom ouvi-lo tocar! A fúria comovente que trucidava baquetas e entortava pratos, carregava aquelas músicas dos mais variados sentimentos existentes na escala entre o amor e o ódio, tudo isso depositado e expurgado na esfacelada bateria azul, que resistia bravamente às pancadas do peso de toda uma existência. Alguns reclamavam que a bateria estava sempre visceral, mas eu enxergava aquilo como o pulsar de um grande coração que sentia tudo da forma mais intensa e sincera.

Certa vez sua banda estava em crise. O guitarrista e o baixista, que também era o vocalista, não estavam mais se falando, e eles não ensaiavam há semanas. Quem mais sofria, sempre em silêncio, era o baterista. Todos aqueles sentimentos reprimidos dentro de si.

Um dia, nesta época, por volta de meia-noite, ele recebeu uma ligação. Era o vocalista da banda. Ele estava em uma festa de rock em que o guitarrista também estava, e o promotor da festa, tendo encontrado ambos, estava usando todos argumentos possíveis para fazê-los tocar neste evento. Era uma ideia que nem passava pela cabeça dos dois, mas diante de todos os contra-argumentos refutados, como não estar com a guitarra (“eu arranjo!”), não estar com o baixo (“pegue o meu!”), só sobrara informar que o baterista talvez estivesse dormindo (“Pegue meu telefone e ligue pra ele!”). Ele não estava e, definitivamente, queria tocar.

Menos de quinze minutos depois, sob olhares atônitos, chega o baterista ainda com roupa de dormir e um Homem-Aranha de pelúcia nas mãos. O guitarrista e o baixista se fitaram e sorriram um para o outro pela primeira vez em muito tempo. A banda existiria pela última vez.

O baterista sobe ao palco encarando a bateria com um olhar de serial killer e eu lembro de ter sentido muita pena do instrumento. A expectativa já era grande entre o público enquanto todo mundo acompanhava hipnotizado o boneco de pelúcia ser amarrado ao lado da caixa de retorno. O baixista e o guitarrista estavam meio que desesperados com a expectativa que passara a existir sobre a banda, que já não era um primor de técnica e estava há vários dias sem um único ensaio. Mas todo mundo só queria ver o baterista de pijama ensandecido, devorador de baquetas e aniquilador de pratos. Para conforto dos outros integrantes da banda, que faziam um esforço sobre-humano para acompanhar o ritmo incessante do baterista, na oitava música não havia mais nenhuma baqueta e o show acabou.

O baterista de pijama foi ovacionado e o cachê da banda penhorado para reforma da bateria.

Published in: on julho 19, 2017 at 2:33 pm  Deixe um comentário  

As Tardes Eram Mais Claras. Os Sorrisos, Mais Felizes

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No final da aula, alguém avisava que minha avó havia chegado. Em meio a algazarra, eu saltitava da cadeira mais rápido que as batidas do meu coração e me dirigia ao final da sala para pegar meu pequeno guarda-chuva, uma prevenção desnecessária porque jamais choveria naquelas tardes, pelo menos em minhas lembranças… “Magno, venha cá!”, era a última ordem do dia de Amanda, uma bela e imperativa morena de olhos e cabelos castanhos, que era concluída com um beijo em meu rosto. Esses beijos que entortaram os meus passos até os dias de hoje.

Do lado de fora eu via o sorriso que tornava as tardes mais ensolaradas. O olhar que me aquecia de ternura, que impedia que qualquer gota de água caísse do céu para atrapalhar nosso trajeto para casa. Eu me aproximava da minha avó e oferecia o lado do rosto que ainda não havia sido beijado. Completo no amor.

A caminhada para a casa era o ponto alto do meu dia. Geralmente era quando eu vivia os mais extraordinários acontecimentos, como ver um lagarto me observar fixamente do alto de algum muro ou um gato que me deixava chegar perto o suficiente para eu achar que poderia pegá-lo, apenas para fugir quando eu começava a ficar apavorado com a ideia de que realmente pudesse pegá-lo. As frágeis mãos enrugadas da minha vó, que seguravam firmemente as minhas, me passavam uma dupla impressão que conviviam em perfeita harmonia: ela estava me protegendo e estava sendo protegida por mim. Com cinco anos eu poderia enfrentar qualquer monstro, mutante ou alienígena para protegê-la, seres obscuros que jamais ousariam me enfrentar naquelas tardes de tanta luz.

Pelo caminho, em direção a um sol que começava a nos brindar com o crepúsculo, orgulhosamente eu lia as minhas primeiras palavras. A expressão da minha vó naqueles momentos era uma coisa radiante, uma imagem que carrego como um quadro e o terei dentro de mim até chegar o dia de me despedir de todos nesta grande caminhada.

Um dia estava tendo dificuldades para ler uma palavra escrita na parede. Pedi a ajuda dela que, sem nenhum constrangimento, disse que não tinha aprendido a ler, que nunca pôde frequentar escola quando era criança e que agora sentia falta disso, mas estava velha demais para aprender.

Aquilo me deixou terrivelmente abalado e inconformado. Eu precisava fazer alguma coisa. Naquela tarde, ao chegar em casa, não fui brincar como de costume. Abri o livro com as atividades de soletrar e disse para minha avó que iria ensiná-la a ler, que ela não era velha para isso e que tinha umas palavras que eu não conhecia, mas poderíamos pedir ajuda a minha mãe. Ela colocou na mesa uma cesta com biscoitos, com um copo de café para ela e um com vitamina de banana pra mim, e com seriedade prestou atenção em toda a aula, como se eu fosse um respeitado professor titulado, me cobrindo de beijos entre uma sílaba e outra. A aluna mais terna do mundo. Eu, concentrado em lembrar todas as dicas da tia Jean, a professora do Jardim Dois que me alfabetizara, me sentia naquele momento a pessoa mais importante do mundo.

Ontem, quase trinta anos depois, estava sentado com meu filho quando ele me pediu para ensiná-lo a ler. Sentamos na mesa e lembrei das minhas primeiras lições como professor, regadas a biscoitos e vitamina de banana, com minha vó que já não está aqui, que partiu levando um pouco do brilho das tardes, mas me deixou um afeto que não cabe em mim, proliferou e deságua em amor sobre o meu pequeno garoto. Foi ele, com seu olhar curioso e carinhosos beijos espontâneos de felicidade, entre uma sílaba e outra, que me fez sentir novamente a pessoa mais importante do mundo, que me fez lembrar de tudo isso com lágrimas nos olhos.

Published in: on julho 11, 2017 at 7:52 pm  Deixe um comentário  
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FÉ, GIM E UM VELHO SAX (Música)

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Ele trouxe a mim
Ele só trouxe a mim
Ele só trouxe aqui
Um velho sax

Não era assim
Não era bem assim
Mas o que vale sempre
É a intenção

Eu tinha gim
Eu tinha muito gim
Também não era bem
A programação

Mas foi pra mim
Um grande dia
Com muito gim
E um velho sax

E com os seus tons de si
Ele alcançou o céu
E Deus respondeu com um sol
Diapasão

Não sei se foi o gim
Mas eu escrevi o que
Não suportava mais
No coração

E foi criado assim
Com um velho sax e gim
Um manifesto
Em forma de oração

Celebramos Deus
Com alegria
Com muito gim
E um velho sax

Published in: on fevereiro 1, 2015 at 12:33 pm  Deixe um comentário  

Coliseu (Música)

from Trey Ratcliff at www.stuckincustoms.com

No sonho eu usava chapéu
E tudo cresceu num papel
E nós fomos voltando
Enquanto todo mundo ia
E o dia nascia no céu

O meu coração coliseu
Logo conheceu o apogeu
E foi marcando o tempo
Num tom de taquicardia
E o dia sumia no breu

Pode embalar meu silêncio com jornais
Eu vou enfrentar nossos dias desiguais
E me esforçar pra fazer o melhor

De júri passei a ser réu
E um doce com sabor de mel
Desceu da minha boca
Entrou bem nos seus ouvidos
E perdidos dormimos ao léu

Juramos lutar pra vencer
Chegamos a nos convencer
Mas o tempo é infalível
Senhor da sinceridade
Verdades que eu tento esquecer

Pode embalar meu silêncio com jornais
Eu vou enfrentar nossos dias desiguais
E me esforçar pra fazer o melhor

Published in: on dezembro 1, 2014 at 11:40 pm  Deixe um comentário  
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Lago

Ela é profunda em um lago raso
Eu sou raso em um mar profundo
Ela ama muito sentir medo
Eu sinto muito medo de amar
Enquanto uma tempestade pode destruir a sua casa
Nem um cometa consegue destruir o meu mundo
Ela é profunda em um lago raso
Eu sou raso em um mar profundo

Ela é uma brisa fresca do verão
Eu sou o ar quente do inverno
Do calor artificial
De uma luz não natural
Garotos pálidos da Sibéria
Sonham com o calor do inferno
Ela é profunda em um lago raso
Eu sou raso em um mar profundo

 

 

 

Published in: on junho 4, 2011 at 9:12 am  Deixe um comentário  

SERRA

Dirigindo ao horizonte
O Por do sol como destino
Meu coração a me frear
Minha corrida ao vazio
Ter que ir
Querer voltar

E na serra da saudade
Me sentia tão menino
Desejando te encontrar
Dirigia assim sozinho
Com o vento
A me beijar

Published in: on novembro 16, 2010 at 1:47 am  Deixe um comentário