Trem

            Deus do céu, já cheguei em 2010…

            Tudo se passa tão rápido que eu tento olhar para trás e só consigo enxergar as coisas como um grande vulto. Minha cabeça está cheia e cansada de tantas despedidas.

            “Sempre em frente”, este é o lema da vida. E eu sigo no meu ritmo cada vez mais rápido me distanciando de todos que fizeram a minha existência ganhar algum sentido por alguns momentos. Os caminhos da vida são um emaranhado de trilhos que se entrecortam e nunca seguem uma mesma direção.

            Olho para frente e vejo um longo percurso. Sua paisagem é como um grande quadro em branco, que por mais que eu o preencha com as mais belas árvores e com o mais inspirador pôr-do-sol, sempre estará repleta de pessoas que dizem “olá” e “adeus” o tempo inteiro, como aconteceu ontem e acontece hoje.

            Um forte aperto de mão, um abraço apertado, um beijo apaixonado, sempre terminam com um triste olhar lacrimejado, no qual eu imploro para não ouvir aquela palavra novamente, o “adeus”, que por mais que eu me prepare desde o primeiro momento, que eu saiba que é inevitável, sempre faz meu coração pesar dolorosamente por muito tempo… enfim, um vai e vem sem sentido no qual a única coisa que permanece o tempo todo com você é a saudade, seu único companheiro de viagem, que nunca vai embora, por mais que tentamos expulsar deste trem.

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Published in: on janeiro 23, 2010 at 9:56 am  Deixe um comentário  

Bradicardia

Contemplando o poente

Eu sorri quase sem querer

E todos os que viram o sorriso

Julgaram sem razão nenhuma

Que aquele era um gesto feliz

Mas quem espera um sorriso infeliz?

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Eu corro em pistas diferentes

Tentando me distanciar

O doutor me disse

Que o meu coração bate tão devagar

Parece estar querendo parar

Enquanto eu fujo ele quer voltar

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E mesmo que eu corra

Até onde ninguém mais me alcance

O meu coração não vai me acompanhar

Porque só ele sente o meu sorriso infeliz

Published in: on janeiro 21, 2010 at 8:17 pm  Deixe um comentário  

Simplesmente Sentar-se

“Simplesmente sentar-se”.

Esta frase do monge ecoa dentro no meu ser enquanto o silêncio toma conta dos meus sentimentos, abafando os meus gritos, minhas mágoas e meus desejos.

Lá estou eu de frente a mim mesmo, procurando descobrir quem sou, o que sinto, de que tenho medo, como melhorar, como entrar em harmonia com a fera que há dentro mim. E sempre me impressiona saber o quanto eu não me conheço e o quanto eu não tenho o controle de minhas próprias emoções, e, consequentemente, da minha vida.

Enquanto eu respiro e expiro tudo vai ficando mais claro. Eu posso tirar a máscara que uso na maior parte do tempo e encarar a minha face. E noto que Carlos Magno é um cara praticamente desconhecido, com um grande potencial a ser explorado e com muitos defeitos a serem trabalhados.

A paz no coração, a verdade sobre si mesmo e a busca por uma melhoria interior é um caminho longo e árduo. Mas todo o trabalho inicial consiste basicamente em respirar, expirar e simplesmente sentar-se, procurando escutar o que você mesmo tem a dizer.

Published in: on janeiro 17, 2010 at 7:09 pm  Deixe um comentário  

Uma Onda Que Passou – Tribo de Jah

Eu não pratico bruxaria, não tenho bola de cristal
Nem toda grana me faria trocar o bem pelo mal
Se eu soubesse, eu previa a fria da sua aparição
Só assim eu não teria entrado nesse turbilhão

Foi um delírio que rolou, agora eu sei
Uma onda que passou e eu não dropei
Amor foi só o que eu quis
Mais puro e sublime amor

Amor não é delírio

Não é fogo de uma fugaz paixão
O pesadelo e o medo de uma desilusão
Eu quis dizer quis, quis te dizer
Quis botar pra fora
Mas na hora eu me calei…

Foi um delírio que rolou, agora eu sei
Uma onda que passou e eu não dropei
Amor foi só o que eu quis
Mais puro e sublime amor

Tudo que eu posso dizer, tentei falar
Tudo que agora eu sei, como explicar?
Você ainda vai saber e vai sofrer
Quando seu tempo chegar

Música de Tribo de Jah

Published in: on janeiro 14, 2010 at 2:44 pm  Deixe um comentário  

Primavera

Deus escreve certo por linhas tortas

E não são as lágrimas nos meus olhos

Que vão me fazer deixar de enxergar

Que o caminho escolhido por Ele

Para me fazer chegar até a porta final

De todos os meus sonhos e missões

É a atual estrada outonal da solidão

E não aquela velha estrada inacabada

Dos falsos verões e nobres mentiras

Que eu deixo para trás com a certeza

De que só enfrentando o poderoso inverno que há pela frente

Poderei repousar na eterna primavera

Published in: on janeiro 11, 2010 at 2:07 am  Deixe um comentário  

Supernova

Hoje eu estou tão perto

Que você pode até me tocar

E mesmo assim eu não consigo

Sentir seus sentimentos

Uma pequena estrela

Ofuscada pelas luzes da cidade

É isso o que eu não vejo

Mas hoje eu decidi partir

Para um lugar muito distante

Onde você jamais poderá me alcançar

E mesmo que seu sentimento

Cresça até o infinito

E eu possa senti-lo em qualquer lugar

Eu já estarei em uma outra dimensão

De onde não poderei mais voltar

Published in: on janeiro 6, 2010 at 1:18 pm  Comments (2)