Ciganos – Vernissage

Vou apresentar a vocês uma das minhas bandas favoritas, a Vernissage.

A maioria de vocês devem nunca ter ouvido falar neles, pois bem, um dos marketings da banda é não aparecer em programas de tevê e muito menos de rádio. Seria uma maneira até legal de se promover se pelo menos eles fizessem show em algum lugar. Existem testemunhas que juram que já viram a Vernissage se apresentando ao vivo, mas elas não são muito confiáveis.

Eles também dificilmente gravam algum material. Deve ser bem difícil promover músicas sem tocá-las para ninguém, e é isso que eu admiro neles, esta pureza de príncipios.

O vídeo que eu postei é uma versão acústica da música Ciganos. A versão original dela eu recomendo que vocês não procurem na Internet. Não adianta, é impossível encontrar. Mas é uma bela canção.

Neste vídeo vocês vão conferir toda a ausência do baterista Tiago de Oliveira, a voz suave de Thabata Uchoa, o estilo do baixista Diogo de Almeida e, bem, vejamos… os olhos azuis do guitarrista Magno Magal.

Published in: on outubro 29, 2009 at 1:51 pm  Deixe um comentário  

O Leão

Há anos que eu percebo que existe dentro de mim um feroz leão adormecido, que de tempos em tempos acorda e causa grandes estragos.

Também percebi que dentro de mim há uma criança travessa e sonhadora, que muitas vezes me guia para lugares que normalmente me constrangeriam.

Passei a temer pelo destino da criança. Morando lado a lado ela poderia ser vítima do feroz leão. Comecei a me policiar afim de não deixar-lo furioso e evitar que a criança passasse por um terrível destino.

Um dia vacilei e o deixei se enfurecer. Mas era uma fúria diferente, quase um ronronar. Caí na gargalhada. “Que tonto”, pensei. Policiei tanto o leão e deixei a criança tão a vontade, que ela, com sua alegria, acabou domando o pobre animal.

Published in: on outubro 28, 2009 at 3:17 pm  Deixe um comentário  

A Vida e o Universo

universo

E então surgiu a vida. Uma idéia brilhante é verdade, muito bela e criativa, mas que muita vezes carece de um sentido. Deve ser por isso que o criador nunca se pronunciou, e acabou dando espaço para diversas teorias sobre a origem da vida.

O paradoxo é que muitos seres viventes deixam de viver para tentar encontrar uma explicação para o porquê de estarem vivos, e como geralmente nunca encontram na maioria das vezes eles renegam ainda mais a vida e passam a aspirar uma coisa ainda mais inexplicavel que, segundo dizem, virá com o fim da vida. Vai-se entender.

É consenso também que existem algumas criaturas que não estão nem aí para o sentido da vida, se é que existe algum, eles pensam. E decidiram aproveitar o fato de estarem vivos para viver. Isso é uma maneira bem bacana de curtir a vida.

Sabe-se também que todo ser vivente um dia vai morrer. A morte recente de Dercy Gonçalves nos tirou qualquer dúvida quanto a isso. Isso também acaba causando muitas divergências entre os seres viventes, e a maioria se preocupa demais com o que acontece quando a vida acaba, quando na verdade deveriam aproveitar esta grande improbabilidade que é estar vivo para não deixar a chama desta beleza misteriosa se apagar.

Outra coisa curiosa é o Universo. O universo é uma coisa incomensuravelmente grande e infinitamente bela. Muitos olham para cima e acreditam que a resposta está lá. Definitivamente eu também acredito. O problema é que de toda essa imensidão sem comparativo do Universo, nós terráqueos só chegamos até a Lua. Dando um exemplo um pouco tosco, é como se você quisesse dá uma volta pelo planeta Terra partindo de Campina Grande e o motor do seu carro só tivesse aguentado chegar até Lagoa Seca. Claro que eu estou subestimando demais a escala do Universo em relação a Terra, perdoem-me.

A conclusão disso é que se a resposta para nossas mais filosóficas perguntas está em algum lugar lá em cima, vamos demorar uma eternidade para encontrá-la. Então acredito que não devemos perder muito tempo com demasiadas divagações sobre algo que deveríamos apenas contemplar. Não devemos ser como cientistas americanos que perdem anos procurando alguma evidência de vida no Espaço, enquanto olhamos com descaso a destruição gradativa de grande parte das formas de vida do nosso planeta

Published in: on outubro 27, 2009 at 6:42 pm  Comments (12)  

A Terra

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 Campina Grande, 30 de Abril de 1983

            Há muitos anos atrás este ser que vos fala perambulava sozinho pela Via Láctea atraído pela luz de uma pequena estrela chamada “Sol”, quando percebeu um minúsculo e belo planeta verde azulado e decidiu visita-lo.

            Após cair no meio do Oceano naveguei por vários dias, e quando começava a achar que neste planeta nada havia além de água, finalmente encontro terra firme. Para meu espanto, os nativos que encontrei me falaram que o nome do planeta era Terra.

            Dentro de pouco tempo conheci todo o planeta, que é bem bonito é verdade, apesar de tão mal cuidado. Belas montanhas, florestas, cordilheiras e desertos, água e vida por toda a parte. Mas quem mais me chamava a atenção eram os nativos do planeta. Seres apressados, confusos e insatisfeitos com qualquer coisa que estivessem fazendo, e profundamente solitários, por mais que estivessem rodeados de nativos por todos os lados eles sempre encontravam um jeito de se sentirem sozinhos.

            No inicio achei aquilo uma maneira bem esquisita de tocar a vida, mas passados alguns dias neste planeta eu também fui atingido por uma inexplicável solidão, algo que não havia sentido nem nos planetas mais desertos do Universo, e nem na mais silenciosa escuridão do Espaço vazio. Logo deduzi que aquilo era alguma praga natural daquele planeta e que havia me contaminado. Decidi não deixar mais a Terra enquanto não encontrasse uma cura para tamanho mal que me assolava, afim também de preservar o restante do Universo da contaminação do “Mal da Solidão”.

            Pesquisei toda a atrasada literatura científica do planeta atrás de uma cura, mas tudo que eles me ofereciam eram pílulas que me deixavam com a cara de bobo e depois aumentavam os meus sintomas. Depois pesquisei toda a literatura dos líderes espirituais, o que acabou confundindo ainda mais a minha cabeça, pois nos livros não haviam respostas e sim mais perguntas.

            E meus sintomas iam se agravando cada vez mais. No início era apenas vontade de andar de trem sem rumo durante horas. Com o tempo passei a sentir falta intensamente de pessoas que acabara de conhecer. E as coisas só pioravam… Comprei um violão e comecei a compor canções para qualquer nativa que sorria para mim, arrebatando meu coração. Sentia a necessidade incontrolável de fazer amigos, e como os terráqueos nunca param quietos num lugar, a despedida deles só aumentava a minha solidão.

            Há pouco tempo venho percebendo a gravidade preocupante da minha situação. Como não sou deste planeta meu organismo não tem muita resistência à enfermidade e sinto como se meu cérebro estivesse atrofiando. Não perco mais nenhuma Novela, assino várias revistas de auto ajuda e assisto qualquer filme que tenha um casal se beijando no cartaz. Espiritualmente venho envelhecendo muito rápido e estou me sentindo quase um senhor no auge dos meus 226 anos.

            Escrevo esta carta porque sinto que provavelmente não terei mais noção de quem eu sou quando acordar amanhã. Usei o restinho da minha consciência para escrever esta carta e coloca-la numa cápsula espacial.

AMIGOS, EVITEM O PLANETA TERRA.

Published in: on outubro 27, 2009 at 2:21 am  Comments (1)